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Regulamentação de Cauções em Portugal

Como funcionam as cauções, quanto pode ser pedido, onde é depositado, e como recuperar seu dinheiro no final.

10 min Iniciante Junho 2026

O que é uma caução?

A caução é uma garantia financeira que o inquilino entrega ao proprietário ou à administração do imóvel. É, basicamente, uma proteção para o proprietário em caso de incumprimento do contrato ou danos causados ao apartamento. Mas aqui está o pormenor importante: essa caução é seu dinheiro, não do proprietário. Ele apenas o guarda durante o período do arrendamento.

Em Portugal, a regulamentação das cauções é clara e protege os direitos do inquilino. Saber as regras significa que você não vai perder dinheiro por falta de conhecimento. E isso é exatamente o que vamos explorar aqui.

Mão a entregar chave de apartamento ao inquilino em frente a casa moderna

Quanto pode ser pedido de caução?

A lei é bastante explícita neste ponto. A caução não pode ser superior a um mês de renda. Ponto final. Se o proprietário pedir dois meses ou três meses de caução, está a violar a lei. E você tem o direito de recusar e de denunciar.

Isto aplica-se a todos os contratos de arrendamento — seja um apartamento T2 em Lisboa ou um estúdio em Porto. A lei é igual para todos. Então se a renda mensal é de 800 euros, a caução máxima permitida é de 800 euros. Nada de “vamos pedir 1.600 para estar seguro”.

Regra de Ouro: Uma caução não pode exceder o valor de um mês de renda. Qualquer quantia adicional é ilegal.

Moedas e notas de euros organizadas em pilhas crescentes numa mesa clara
Documento legal de contrato de arrendamento com assinatura e carimbo do notário em cima de secretária

Onde é depositada a caução?

Aqui é que a coisa fica interessante. Desde 2018, a lei mudou bastante. A caução não pode ficar com o proprietário. Tem de ser depositada numa conta especial — geralmente numa instituição bancária ou numa entidade pública autorizada.

O depósito é feito geralmente através de uma entidade intermediária, como um banco ou uma administradora de imóveis certificada. O importante é que você recebe um comprovante. Não é um “depósito de confiança” onde o dinheiro fica na conta do proprietário. Não. É uma conta separada, segura, que protege você.

Se o proprietário insistir em guardar a caução pessoalmente, isso é uma bandeira vermelha. Você está perante uma prática ilegal.

Como recuperar a caução no final do arrendamento?

Quando o contrato termina, você tem direito a receber a sua caução de volta. Mas não é automático. Há um processo que deve seguir.

1

Notificar o proprietário

Antes de sair do imóvel, deve notificar o proprietário por escrito (recomenda-se correio registado) que está a terminar o contrato e que espera receber a caução.

2

Inspeção do imóvel

O proprietário pode verificar se há danos no imóvel. É importante que você esteja presente. Se houver danos, o proprietário pode descontar do valor da caução — mas apenas pelos danos reais, não pelo desgaste normal.

3

Devolução do dinheiro

O proprietário tem até 30 dias para devolver a caução. Se houver descontos, deve enviar um documento justificando as deduções. Qualquer descontos sem justificação é ilegal.

Mãos a entregar envelope com dinheiro durante assinatura de documento em mesa de escritório

Seus direitos como inquilino

Proteção legal

Você tem o direito de exigir que a caução seja depositada numa conta legal. Ninguém pode guardá-la pessoalmente sem violar a lei.

Justificação de descontos

Se o proprietário quer descontar algo da caução, tem de justificar com orçamentos e fotos dos danos. Não pode apenas dizer “perdi algum dinheiro”.

Prazo de devolução

O proprietário tem 30 dias para devolver a caução após o término do contrato. Não há exceções a esta regra.

Ação legal

Se o proprietário não devolver a caução no prazo ou descontar indevidamente, você pode recorrer aos tribunais ou a entidades como a DECO.

Informação transparente

O contrato deve especificar claramente o valor da caução, onde será depositada, e os critérios para descontos. Tudo deve estar por escrito.

Sem surpresas

O proprietário não pode pedir cauções adicionais ou ocultas. Tudo deve estar claro desde o início do arrendamento.

Dicas práticas para proteger sua caução

Documentar tudo é essencial. Quando entra no apartamento, tire fotografias do estado de todas as divisões. Pede ao proprietário para assinar um documento onde confirma que o imóvel estava em bom estado. Isto protege-o no final do contrato.

Mantenha o apartamento limpo e bem cuidado. O desgaste normal é aceite — uma parede que precisa pintura após 5 anos é normal. Mas buracos nas paredes, moquete manchada ou vidro partido já não são. Se algo se danifica, conserte-o. Vale a pena.

Quando o contrato termina, limpe o imóvel minuciosamente. Isto mostra boa vontade e reduz as hipóteses de descontos injustos. E não se esqueça — você tem o direito de estar presente na inspeção final.

Guarde todos os documentos. O contrato, o comprovante de depósito da caução, comunicações com o proprietário, fotos do imóvel quando entrou. Tudo isto é seu seguro em caso de disputa.

Caderno de anotações com checklist de verificação do imóvel, lápis e câmara digital numa mesa de trabalho clara

Conclusão

A regulamentação de cauções em Portugal é clara e favorável ao inquilino. O limite de um mês de renda é fixo. O depósito deve ser feito numa conta legal. A devolução tem prazo de 30 dias. E você tem o direito de questionar qualquer desconto injustificado.

Conhecer estas regras coloca-o numa posição de força. Não é complicado. É apenas uma questão de saber o que é permitido e o que não é. Se um proprietário tentar contornar estas normas, saiba que tem a lei do seu lado. E há entidades como a DECO, a Associação de Inquilinos, ou os tribunais que podem ajudá-lo se necessário.

Arrendar um imóvel deve ser uma experiência tranquila. A caução faz parte disso. Quando compreende como funciona, consegue concentrar-se no que realmente importa — encontrar um lar que o torne feliz.

Nota de Isenção de Responsabilidade

Este artigo é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. As informações apresentadas baseiam-se na legislação portuguesa atual sobre regulamentação de cauções, mas não substituem aconselhamento jurídico profissional. As situações habitacionais variam conforme as circunstâncias individuais, e a legislação pode sofrer alterações. Se enfrenta uma situação específica relacionada com cauções ou contratos de arrendamento, recomendamos que consulte um advogado especializado em direito habitacional ou contacte entidades de proteção do consumidor como a DECO ou a Associação de Inquilinos de Portugal para orientação personalizada.

Tiago Ferreira

Autor

Tiago Ferreira

Consultor Jurídico Sénior e Editor de Conteúdos

Consultor jurídico especializado em direito habitacional com 14 anos de experiência em arrendamentos e proteção de inquilinos em Portugal.